Reprodução: Internet
Em Pernambuco, existem 1.700 pacientes na fila de espera por um
transplante, mas quem precisa de uma córnea encontra uma situação bem
mais confortável: a fila, que já teve uma espera de cinco anos, foi
zerada neste mês de maio, de acordo com o Banco de Olhos do Recife.
A fila zerou graças à solidariedade: o número de doações aumentou.
“Acho que a gente tem que comemorar porque é o melhor presente que
poderíamos dar à população. Uma lista zero de transplante de córnea
significa que se uma pessoa chegar hoje, precisando de um transplante,
ela só precisa do tempo para fazer os exames pré-operatórios, o parecer
cardiológico e os exames de sangue, e imediatamente nós já temos uma
córnea para oferecer para ela. Isso é muito da realidade em que as
pessoas esperavam até cinco anos por um transplante de córnea”, explica
Ana Catarina Delgado, diretora do Banco de Olhos do Recife.
As córneas podem esperar pelo transplante por até 14 dias. Se nesse
tempo não aparecer um paciente pronto para receber a doação, elas não
são perdidas: o Banco de Olhos repassa para a Central Nacional de
Transplantes, que encaminha para outro estado, onde a lista de espera
seja maior. “A doação, apesar de ser um gesto simples, é um gesto muito
poderoso, está aí a prova. A gente agradece a essas pessoas que doaram e
a gente pede as outras famílias continuem doando, para que a gente
consiga manter a situação como ela está hoje”, afirma Ana Catarina.
A aposentada Nilza Negromonte Lima se submeteu ao transplante de córnea
na época em que a fila estava bem grande. Ela teve que esperar cerca de
3 anos para chegar sua vez. A cirurgia aconteceu em 2009 e, desde
então, ela voltou a enxergar com o olho esquerdo. “Eu coloco linha em
agulha de mão, de máquina... e faço tudo dentro da minha casa”,
comemora.
A Central de Transplantes de Pernambuco trabalha para reduzir as filas de espera para transplantes de outros
órgãos. Quem precisa de um rim, por exemplo, encontra hoje 1.500 pessoas
no aguardo. “Essas pessoas só vão poder transplantar nesses casos,
quando o indivíduo tem o diagnóstico neurológico da morte”, esclarece
Noemy Gomes, coordenadora da Central de Transplantes de Pernambuco.
Fonte: g1.globo.com
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