sexta-feira, 30 de março de 2012

Na Paixão de Cristo, pernambucano brilha no papel de Jesus




Cerca de 2.500 pessoas estavam na pré-estreia do espetáculo da Paixão de Cristo de Nova Jerusalém na noite dessa quinta-feira (29). O número fica longe dos mais de 8 mil espectadores diários durante os dias de apresentação, mas é o suficiente para deixar novatos e veteranos nos palcos com frio na barriga. José Barbosa, o pernambucano que vive Jesus, disse ter carregado a cruz da responsabilidade, contudo, conduziu a história com leveza e humanidade que, acredita, o filho de Deus deveria ter.

Nada de global no papel principal. Por isso, menos tietagem também. Para o limoeirense que encarnou Jesus, isso é até bom porque as pessoas vão poder prestar mais atenção ao espetáculo. "Mesmo que haja o assédio, acho que as pessoas devem vir, assistir e meditar. Essa é uma história muito importante. Precisamos pensar sobre ela", afirmou o ator, que aparentou ser religioso. Talvez a crença e o respeito pela trama tenham o feito ser bem sucedido no projeto. "Achei ele meigo, doce, modesto em cena", avaliou Ariadne Quintana, jornalista que há cinco anos assiste à encenação.

Papéis importantes na peça, como o de Pilatos e o de Maria Madalena, também ficaram nas mãos de pernambucanos: Ricardo Neves e a ex-miss Pernambuco Wilma Gomes. Como Judas, o global Caco Ciocler se destacou. Ainda que o papel seja carregado de negativismo e que as pessoas não gostem muito do personagem, o ator contou que sua missão é salvar Judas. Na pele da mãe de Jesus, a televisiva Larissa Maciel revelou que estar tão próxima do público é surpreendente. "Na minha primeira cena, eu estou muito pertinho. A energia que as pessoas passam é incrível".

A veracidade da estrutura de Nova Jerusalém também deixou a atriz impressionada. Isso chamou atenção da turista Joana Wolf. "A criatividade utilizada para a confecção de roupas e cenário, além de sua boa conservação, é fantástica".

Joana teve oportunidade de conferir a peça com ajuda de cadeira de rodas, uma das muitas disponibilizadas para deficientes físicos ou, como no caso dela, quem precisasse. Sofrendo de artrose, a catarinense teria dificuldade de se locomover duante duas horas e meia pelos 100 mil metros quadrados do maior teatro ao ar livre do mundo. Além dela, deficientes visuais puderam acompanhar o espetáculo com ajuda de guias e audiodescritores - profissionais que, por meio de narração, contam passo a passo o que acontece no palco.

Sem a visão desde que nasceu, Vanessa Araújo, 20, ouviu falar na possibilidade de ir à Paixão de Cristo na escola e logo se interessou. Mesmo morando no Brejo da Madre de Deus, município no Agreste do Estado onde está localizada a cidade-teatro, esta foi a primeira vez que pisou em Nova Jerusalém. "Acho que minha emoção é ainda maior do que a de quem vê", confessou. Ela disse, ainda, que foi cansativo ficar indo para lá e para cá atrás das cenas, mas que valeu muito a pena.

Fonte: ne10.uol.com.br

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