Guido Mantega falou ao G1 no Ministério da Fazenda.
(Foto: Alexandro Martello/G1)
A gasolina vai ficar mais cara ainda este ano, afirmou o ministro da Fazenda, Guido Mantega. Em entrevista ao G1,
Mantega, que também é presidente do Conselho de Administração da
Petrobras, disse também que o governo decidiu "sacrificar" o chamado
"superávit primário" – que é a economia feita para pagar juros da dívida
pública – em prol de gastos com investimentos, saúde e educação.
"Quem resolve o preço da gasolina é a Petrobras. Temos uma certa
regularidade. Nos últimos anos, sempre teve aumento. Um ou dois. É um
setor privilegiado. A maioria dos segmentos teve reajuste de preços uma
vez por ano, e não duas vezes por ano. Ano passado [a gasolina] teve
dois aumentos. Então, esse ano não será diferente. Vai ter aumento. Ano
passado teve aumento em novembro. Quando houver a decisão, haverá um
aumento. Não cabe a mim decidir isso", disse Mantega ao G1.
No ano passado, houve dois reajustes nos preços da gasolina. O primeiro aconteceu em janeiro, quando a Petrobras reajustou o diesel em 5,4% e a gasolina, em 6,6%. O último reajuste
aconteceu no fim de novembro de 2013 – momento no qual a Petrobras
anunciou que os preços da gasolina e do diesel foram reajustados nas
refinarias, sendo que a alta foi de 4% para a gasolina e de 8% para o
diesel.
Meta fiscal
Na mesma semana em que o Banco Central informou que o superávit primário ficou em apenas R$ 10,2 bilhões nos primeiros oito meses do ano – o pior resultado da história –, Mantega afirmou que o governo decidiu sacrificar o esforço fiscal deste ano em "prol dos investimentos, da saúde e da educação".
"Não tem desperdício. O que temos é um gasto importante para a
população. Temos investimento, infraestrutura, e a área social, a
educação e o Pronatec. A educação está melhorando, a população jovem
está saindo com mais educação para o mercado de trabalho, vai ter
salários melhores", declarou.
O ministro não garantiu, também, que a meta de superávit primário do
setor público neste ano, de R$ 99 bilhões, ou 1,9% do PIB, será
atingida. No mercado financeiro, a descrença é geral na obtenção do
objetivo fiscal de 2014.
"Estamos fazendo um esforço. É difícil. Mais difícil do que no ano
passado. Porém, temos de esperar para ver. Estamos fazendo o esforço
máximo, mas sem abrir mão de investimentos. O investimento do governo
vai atingir o seu maior patamar em 2014. A gente vai trabalhar para
fazer o melhor primário possível", afirmou ele.
Crescimento do PIB
Guido Mantega disse ainda que indicadores mostram que a economia está crescendo mais a
partir de julho, e que a previsão do último relatório de receitas e
despesas do orçamento, de uma alta de 0,9% para o Produto Interno Bruto
(PIB) neste ano, é possível. O mercado financeiro, porém, prevê um
crescimento de apenas 0,29% para este ano.
"Temos indicadores de que a economia a partir de julho está crescendo
mais. Em julho, produção industrial cresceu, investimento cresceu.
Agosto não saiu ainda. Eu acho que a produção industrial cresceu em
agosto também. Temos dados que vão nos dizendo que a economia está em
uma fase de crescimento. O crédito está voltando agora bem gradualmente.
Também vai melhorar", disse ele.
O ministro disse que é "difícil" fazer previsão em um cenário com muita
volatilidade, como atualmente. Segundo ele, a seca impactou o
crescimento mais fortemente no primeiro semestre. "Estamos em
recuperação e o segundo semestre será melhor. Previsão é de 0,9%. Pode
mudar até o fim do ano. Esse último trimestre certamente a economia vai
crescer mais. Dá para chegar no 0,9%", concluiu.
Fonte: g1.globo.com
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