Eduardo Campos (PSB) (In Memoria) deixou um legado que está influenciando na corrida eleitoral. (Reprodução: Internet)
A morte do ex-governador Eduardo Campos (PSB), que disputava a
Presidência da República, mudou totalmente o quadro eleitoral. Provocou
modificações nas disputas para o governo do estado, para o Senado e para
o Palácio do Planalto. Quinze dias depois do socialista falecer num
acidente de avião, no dia 13 de agosto, seu candidato ao governo do
estado, Paulo Câmara (PSB), subiu de 11% para 29% nas intenções de voto,
segundo a pesquisa Ibope divulgada ontem. A substituta de Eduardo na
chapa presidencial, Marina Silva (PSB), também despontou com 29%, vinte
pontos a mais do que tinha o ex-governador no mês passado, antes da
tragédia.
O “efeito Eduardo” teve um impacto relevante em
Pernambuco, governado por sete anos e quatro meses pelo socialista.
Levando em consideração a última pesquisa Ibope, de 30 de julho, o
senador Armando Monteiro (PTB) oscilou negativamente de 43% para 38%.
Porém, Paulo Câmara, que antes tinha 11%, saltou para 29%, um
crescimento percentual superior 150% em relação ao levantamento
anterior. O que significa que o eleitor entendeu que ele era o seu
candidato, sendo aparentemente beneficiado pela comoção popular no
estado. A margem de erro da pesquisa é de três pontos para mais ou para
menos.
Na disputa pelo Senado, a mudança não foi tão significativa
quanto à do governo do estado. O candidato do PT, o deputado federal
João Paulo, oscilou negativamente de 37% para 35% de julho para agosto,
enquanto o ex-ministro da Integração Nacional Fernando Bezerra Coelho
(PSB) cresceu de 16% para 22%.
A pesquisa do Ibope divulgada ontem
revela ainda que, no estado, Marina e Dilma Rousseff (PT) estão
empatadas tecnicamente, a primeira com 41% e a segunda com 37%, enquanto
o presidenciável do PSDB, Aécio Neves, fica com 3%.
No
levantamento nacional, Marina Silva se aproxima de Dilma Rousseff, que
ficou com 34% contra 38% no início do mês, e abriu 10 pontos de
diferença de Aécio Neves (PSDB), que está com 19%. A mudança pode
garantir o segundo turno sem a polarização esperada por ambos. Marina
carrega, a exemplo de Eduardo, a bandeira do “novo” no discurso
político, sendo vista como capaz de tirar votos de qualquer lado, tanto
petista como tucano.
Por enquanto, levando-se em conta a margem de
erro da pesquisa, Dilma e Aécio permanecem estáveis em relação ao
levantamento do mesmo instituto em 8 de agosto, embora tenham oscilado
negativamente.
No início do mês, com 38%, Dilma podia estar entre 36% e 40%. Agora, a presidente também pode estar com 32% ou 36%. O mesmo se repete com Aécio, que podia estar entre 21% e 25% em julho, e agora, oficialmente com 19%, também pode estar oscilando entre 17% a 21%.
Capitalização
Além
de ter capital político próprio, Marina conseguiu também capitalizar
nesse levantamento a comoção no país com a morte de Eduardo Campos ao
assumir um desafio inesperado, que ela tinha aberto mão em outubro de
2013 por não conseguir criar o seu partido (a Rede Sustentabilidade).
Na disputa pelo Planalto, o “efeito Eduardo”, aliado ao capital de Marina, fez o número de brancos e nulos diminuir de 13% para 7% em relação ao início de agosto, enquanto o índice de eleitores que não sabia em quem votar saiu de 11% para 8%.
Fonte: www.diariodepernambuco.com.br
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