Com mais esse atraso os sertanejos continuam sentido os efeitos da seca no semiárido nordestino
(Reprodução: Internet)
Longe do guia eleitoral, técnicos do governo federal reconheceram um
novo grande atraso na transposição do Rio São Francisco. Os primeiros 16
quilômetros da obra originalmente testariam o transporte da água do
Velho Chico para o Sertão até setembro de 2011, prazo que havia sido
adiado para este ano, até o mês que vem. Semana passada, contudo, um dia
após a presidente Dilma Rousseff, em plena campanha, visitar a obra em
Pernambuco e gravar imagens para o guia, o Ministério da Integração
Nacional conseguiu o que havia pedido: o funcionamento da primeira etapa
da obra foi adiado em dois anos, para até setembro de 2016.
A autorização foi da Agência Nacional de Águas (ANA). Não é o prazo
do fim da obra, mas para ver a água correr só no primeiro trecho da
transposição, o que o governo esperava primeiro em 2011 e depois este
ano.
A obra, orçada em R$ 8,2 bilhões, tem dois longos canais. O Eixo
Leste beneficiará Pernambuco e Paraíba e o Norte levará água para esses
Estados, o Ceará e Rio Grande do Norte. O governo espera beneficiar 12
milhões de pessoas. A obra começou em 2007, na gestão Luiz Inácio Lula
da Silva, orçada em R$ 4,5 bilhões. O Eixo Leste deveria sair em 2010 e o
Norte, em 2012.
Em 22 de setembro de 2005, a ANA, responsável por regular a tomada de
água no rio, autorizou o projeto pela resolução 411, com prazos para
cada etapa. A vazão regular dos canais será de 26,4 metros cúbicos por
segundo. Estações de bombeamento vão elevar a água a centenas de metros
de altura, para depois correr em gravidade por canais que cruzam o
sertão.
Nos últimos dias de governo, Lula fez seu último balanço do Programa de
Aceleração do Crescimento (PAC). O Leste, pelos dados oficiais, estaria
70% executado e sairia em junho de 2011, a três meses do limite original
de operação. O Norte, com 75% de realização, sairia em 31 de dezembro
de 2012. A transposição, então desenhada com 622 km, já era orçada em R$
5,8 bilhões.
No primeiro ano da gestão Dilma, as construtoras pediram aumentos
astronômicos. O orçamento explodiu e a obra parou. A pedido do
ministério, a ANA autorizou em 2011 um novo prazo para a operação: até
setembro de 2014 – ou seja, mês que vem. O governo passou a anunciar uma
“meta-piloto”: o teste dos primeiros 16 quilômetros do Eixo Leste,
entre os reservatórios de Itaparica e Areias, em Floresta, Pernambuco.
Após vários adiamentos, no último balanço do PAC antes da campanha
atual, em junho, técnicos do governo Dilma já haviam pedido novo
adiamento da primeira fase de operação. A informação sobre a
“meta-piloto” não consta no documento. A transposição, já com 469 km,
ficou para dezembro de 2015.
Em plena campanha, quinta-feira passada, Dilma visitou exatamente as
estações de bombeamento da “meta-piloto” em Floresta e gravou imagens
para o guia. No dia seguinte, a ANA publicou no Diário Oficial da União:
em atendimento ao ministério, adiou em dois anos o prazo para a
primeira fase da transposição funcionar.
Procurado, o ministério informou que o projeto está 62,4% concluído, mas
ignorou perguntas sobre o motivo de pedir mais dois anos para a água
começar a correr na obra: “Em relação à resolução da ANA, esclarecemos
que o prazo para início da operação venceria em setembro de 2014. Por
isso, optou-se por renová-lo por mais dois anos: até setembro de 2016.”
Fonte: jconline.ne10.uol.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário