"Para serem atendidas, elas não precisam denunciar o agressor", diz Ana Cecília Gonzalez
(Foto: Edmar Melo/JC Imagem)
Depois de oito anos da criação da Lei
Maria da Penha, o Estado de Pernambuco apresenta queda no número de
assassinatos de mulheres. Em 2013, foram registrados 5,2 homicídios de
pessoas do sexo feminino por 100 mil mulheres. Em 2006, a taxa era de
7,2. Outro dado que mostra declínio desses crimes vem de janeiro a
outubro deste ano, quando foram assassinadas 187 mulheres no Estado –
uma queda de 8,5% em relação ao mesmo período do ano passado.
Esses números foram apresentados ontem
pela Secretaria da Mulher de Pernambuco (SecMulher/PE) para marcar o Dia
Internacional de Combate à Violência contra as Mulheres. Os resultados
vêm dos R$ 55 milhões investidos para aplicar a Lei Maria da Penha no
Estado. O trabalho ganhou reforço, há dois anos, com a criação da câmara
do Pacto pela Vida voltada para combater esse tipo de violência.
“Desenvolvemos ações para combater
agressões dessa natureza, inclusive nas comunidades rurais, onde as
vítimas não conseguem apoio para sair do ciclo de violência”, ressalta a
diretora de Enfrentamento da Violência de Gênero da SecMulher/PE, Fábia
Lopes.
Desde setembro, dois ônibus circulam em
áreas rurais de municípios da Região Metropolitana do Recife (RMR), da
Zona da Mata e do Agreste. “Nesses lugares, precisamos levar orientação
sobre os tipos de violência. Muitas mulheres são agredidas, sofrem e nem
percebem que vivenciam um ciclo de constrangimento físico ou moral”,
diz Fábia. Ela informa que, em 2015, será implementada a campanha Maria
da Penha vai à Escola.
LINHA DIRETA - A Secretaria da Mulher do Recife lançou ontem a campanha Ser feliz. Eu vou. É meu direito,
a fim de celebrar o movimento internacional de 16 dias de ativismo pelo
fim da violência contra a mulher, com ações que vão até 10 de
dezembro.
O trabalho culmina com um serviço que incentiva a denúncia dos crimes através do Liga, Mulher
(0800-2810107), telefone do Centro de Referência Clarice Lispector,
localizado no bairro da Boa Vista, área central do Recife. No local, são
oferecidos serviços especializados à mulher em situação de violência
doméstica, familiar e sexual.
As vítimas podem ser encaminhadas para o
centro pelas delegacias, hospitais e unidades de saúde. “É bom reforçar
que elas podem procurar o serviço espontaneamente”, informa a gerente
de Promoção da Cidade Segura para as Mulheres, Ana Cecília Gonzalez.
“Para serem atendidas, elas não precisam denunciar o agressor.
Oferecemos segurança e proteção”, completa a gestora.
Fonte: jconline.ne10.uol.com.br
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