(Reprodução: Internet)
O ano de 2015 será de inflação ainda
alta e crescimento baixo, avaliam economistas ouvidos nesta quinta-feira
(4) pela Agência Brasil. Ressaltam que o novo ciclo de alta de juros
adotado pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC)
demorará de seis a nove meses para ter impacto sobre os preços. Já a
atividade econômica tende a arrefecer com o aperto monetário. Na
quarta-feira (3), o Copom elevou em 0,5 ponto percentual a Selic, taxa
básica de juros, que chegou a 11,75% ao ano.
Para os economistas, um cenário mais
positivo só começará a se desenhar em 2016. O aperto fiscal sinalizado
pelo ministro da Fazenda, Joaquim Levy, nomeado para o próximo mandato,
também contribuirá para a economia menos aquecida. Apesar das
perspectivas, os analistas consideram os ajustes acertados e preveem
novas altas da Selic até o primeiro trimestre do ano que vem.
“A gente pode dizer que é como dar um
antibiótico para a pessoa que está com uma infecção, no caso a inflação.
É uma medida extrema, em um momento em que a pessoa está bastante
afetada pela doença. A ideia é que é um mal necessário”, assinala o
economista Gilberto Braga, professor de Finanças do Ibmec. Braga explica
porque uma medida como a elevação na Selic demora a ter o efeito
esperado, de desaquecimento da economia e consequente redução na
inflação.
“Quem já contratou um empréstimo, por
exemplo, não recontratará para pagar mais caro. A alta afeta só as novas
operações”, salenta. Ele aposta em aumentos até que a Selic esteja um
ponto percentual acima do patamar atual, mas não descarta que a taxa
possa atingir 13%. “Vai depender da calibragem dos aumentos. A equipe
econômica tem passado a impressão de jogo duro”, comenta.
A economista Alessandra Ribeiro, da
Consultoria Tendências, faz previsão diferente, de novos aumentos mais
suaves para a taxa básica. Segundo ela, a consultoria está redefinindo a
curva de juros, após o anúncio de ontem e aposta em altas da Selic de
0,25 ponto percentual, cada, nas reuniões do Copom em janeiro e março. O
motivo é que, na nota divulgada depois da decisão sobre a nova Selic, o
BC informou que o esforço da política monetária “tende a ser
implementado com parcimônia”.
Alessandra destaca que, além da demora
natural para o ajuste nos juros ser sentido na economia real, em 2015 a
inflação deve continuar pressionando, em função dos preços
administrados, que ficaram represados por muito tempo este ano. “Há uma
conta a pagar de energia elétrica, gasolina e transporte público. Por
isso, a inflação fica muito próxima do teto da meta ainda no ano que
vem”, analisa Alessandra, destacando que a projeção da consultoria é
fechamento em 6,4%.
Com relação ao crescimento, a previsão
de Alessandra Ribeiro é que o cenário será ligeiramente melhor que o
deste ano, prejudicado pela Copa do Mundo e pelas eleições. “Nossa
projeção de crescimento é 0,9% no ano que vem, que é muito baixa. Para
este ano, é zero mesmo. Para 2016, 1,6%”, adianta a economista.
Concluído no fim de novembro, o mais recente boletim Focus, pesquisa
semanal do BC junto a instituições financeiras, prevê inflação de 6,49% e
crescimento de 0,77% para 2015. Para 2014, a estimativa é que o país
cresça 0,2% e a inflação feche em 6,43%.
Fonte: jconline.ne10.uol.com.br
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