Durante um jantar de gala para 1,2 mil pessoas no hotel Waldorf Astoria,
em Nova Iorque, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu o
título de Pessoa do Ano
(Foto: Divulgação/UOL)
Durante um jantar de gala para 1,2 mil pessoas no hotel Waldorf Astoria,
em Nova Iorque, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recebeu nessa
terça-feira (12) o título de Pessoa do Ano, com um discurso de forte
teor político. Ao falar diante de empresários, banqueiros, diplomatas e
da cúpula do PSDB no evento promovido pela Câmara de Comércio
Brasil-Estados Unidos, FHC citou as manifestações de ruas e usou a crise
econômica para atacar tanto o governo quanto o PT — sem citar o
partido. Sobre o que chamou de “práticas não republicanas”, o
ex-presidente afirmou que “o castelo de cartas desfez-se ao sopro da
realidade”.
— Talvez houvesse sido certo dizer que, para nós, a crise foi uma
“marolinha”. Mas não. O governo interpretou o que era política de
conjuntura como um sinal para fazer marcha à ré. Paulatinamente fomos
voltando à expansão sem freios do setor estatal, ao descaso com as
contas públicas, aos projetos megalômanos que já haviam caracterizado e
inviabilizado o êxito de alguns governos do passado — afirmou FH. —
Isso, sem me referir a práticas que a melhor eufemismo são ditas no
Brasil como “não republicanas”, sobre as quais, no exterior, prefiro
calar. O castelo de cartas desfez-se ao sopro da realidade.
Em sua fala, que começou em inglês e depois, quando falou sobre o
Brasil, passou para o português, Fernando Henrique considerou o “desvio
das boas práticas” tão grave quanto “a pretensão de sustentar o poder a
partir de políticas de hegemonia partidária pregada e posta em ação por
grupos que se autodenominam como de vanguarda”. Mas se declarou
otimista:
— Por mais astuciosos que sejam os truques para mostrar que está certo o que está errado, eles têm vida curta.
Mais de 12 anos depois de deixar a presidência, FH foi eleito a
Pessoa do Ano de 2015 junto com o ex-presidente dos Estados Unidos Bill
Clinton. Desde 1970, o prêmio é dado anualmente a dois líderes — um
brasileiro e um americano — que tenham se destacado no fortalecimento
dos elos entre Brasil e EUA.
INGRESSOS A US$ 1 MIL - Clinton só chegou ao final do jantar, ao
som de uma música do Fleetwood Mac, e foi aplaudido de pé ao se juntar a
FH e aos integrantes da Câmara, que passaram o tempo todo no palco,
adornado com bandeiras dos dois países.
Ao comentar o prêmio, Clinton elogiou o ex-presidente brasileiro:
— Poder é difícil de obter e é difícil de exercer. O que define
parceria é dividir sonhos, projetos. Fernando Henrique foi para mim esse
parceiro.
A festa reuniu os principais caciques do PSDB – Aécio Neves, José
Serra, Tasso Jereissati –, além dos governadores tucanos Geraldo Alckmin
(São Paulo), Pedro Taques (Mato Grosso) e Marcone Perillo (Goiás).
Também estavam presentes o ex-senador José Sarney (PMDB); os presidentes
dos bancos Itaú, Roberto Setubal, BTG Pactual, André Esteves, e Credit
Suisse no Brasil, José Olympio; o presidente do Conselho do Itaú, Pedro
Moreira Salles; a embaixadora Ana Lucy Cabral Petersen, cônsul do Brasil
em Nova Iorque; o representante permanente do Brasil na ONU, Antonio
Patriota; o empresário Nizan Guanaes, que fez um discurso em que se
disse saudoso de FH; e o artista plástico Vik Muniz.
Na entrada, Aécio ressaltou que a homenagem é “um reconhecimento ao
homem que permitiu ao Brasil olhar com maior maturidade para o mundo, o
homem que permitiu que o Brasil fosse uma nação estável do ponto de
vista dos investimentos e em condição de diminuir as suas ainda enormes
diferenças sociais”.
– FH não é mais um homem do PSDB, é um homem do Brasil, um homem
público na dimensão maior que essa expressão possa trazer – afirmou,
admitindo que o reconhecimento da contribuição do ex-presidente para o
Brasil tardou a acontecer. – Não tivesse havido o governo do Fernando
Henrique, com a estabilidade da moeda, com a modernização da economia,
com o início dos programas de transferência de renda, não teriam havido
os governos que o sucederam com os resultados que tiveram. O próprio
governo do presidente Lula. Nada melhor do que a história, a história e o
tempo fazem justiça que os primeiros anos pós-FH não fizeram.
Ao chegar ao Waldorf Astoria, Alckmin ressaltou que “o real mudou o
Brasil de patamar”, e não se furtou a comentar a crise política atual:
– O Brasil é maior que a crise, a crise é passageira, ela é
conjuntural, ela é fruto de escolhas erradas. O país é forte, tem uma
economia importante, um espírito empreendedor, então acho que essa é a
primeira mensagem. A outra é destacar valores: tanto o FHC quanto o Bill
Clinton representam valores, o apreço pela democracia, o compromisso
com o desenvolvimento, o compromisso com valores do país.
Fonte: noticias.ne10.uol.com.br
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