Dois filhotes estão sendo acompanhados, onde serão soltos em seguida.
(Foto: Divulgação/UFRPE)
Pesquisadores da Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE)
fizeram o primeiro registro no Nordeste do nascimento de filhotes de
jacaré-paguá. A espécie tem ocorrência em Pernambuco juntamente com os
mais comuns jacarés-do-papo-amarelo, mas nunca tinha tido a reprodução
documentada na região. O acompanhamento desses répteis, que ocorre pela
terceira vez no País, é visto como essencial no processo de conservação.
Doze ovos, de um ninho de 14, eclodiram na última sexta-feira (8), na
área do Parque Estadual Dois Irmãos, na Zona Norte do Recife. Dos que
nasceram, dois precisaram de ajuda para romper a casca e estão passando
por exames e procedimentos de marcação. Uma avaliação definirá se eles
podem ser soltos, o que deve acontecer na quarta (13) ou na quinta-feira
(14). Já os demais jacarezinhos seguiram sua jornada assim que saíram
dos ovos.
A professora Jozélia Correia, coordenadora do projeto de pesquisa
Ecologia de Crocodilianos, da UFRPE, explica que o ninho foi localizado
em abril, em uma área vulnerável na rua Dom Manoel de Medeiros, no
bairro de Dois Irmãos. No local, o material de monitoramento foi
danificado. O jacaré fêmea, que era observado frequentemente, deixou de
ser visto após a ocorrência dos estragos. Com isso, apenas o macho foi
marcado e monitorado.
“Percebemos que o ninho estava muito exposto e as pessoas estavam
interferindo, então o translocamos para uma área mais protegida, e
realizamos procedimentos como pesagem, medição e instalação de aparato
para medir temperatura e demais condições para a eclosão”, explica a
pesquisadora. A equipe conseguiu registrar o nascimento quando realizava
uma visita diária ao ninho. Técnicos do Parque de Dois Irmãos também
participaram dos trabalhos.
Ainda segundo Jozélia, ainda há poucas informações sobre a espécie
Peleosuchus palpebrosus. Por isso, o projeto tem a proposta de adquirir
dados e achados sobre esses animais, como habitat, alimentação, hábitos e
reprodução. “Eles estão em uma lista de animais que têm dados
deficientes. Então, fazer esse registro foi importante. Mesmo com a
interferência, com o ato de transferir o ninho, conseguimos essa
vitória”, ressalta a pesquisadora.
Fonte: www.folhape.com.br
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