Manifestantes interrompem o trânsito na Avenida Recife em dois momentos durante a manhã (Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem)
A manhã desta quinta-feira (21) foi de conflito no bairro do Jiquiá, na Zona Oeste do Recife. A confusão começou durante a desapropriação de um terreno privado, de
40 hectares, onde quase 1,5 mil famílias mantinham barracos. Eles
ocupavam a área desde o último 4 de maio, mas receberam uma ordem de
despejo expedida pela 21ª Vara Cível da Capital. A reintegração de posse
começou pacífica logo cedo, mas acabou em confusão. A Avenida Recife
foi fechada em dois momentos, com pedras atiradas, balas de borracha e
um carro de ferro velho incendiado.
Por volta das 9h, um primeiro confronto ocorreu. Durante cerca de vinte
minutos, um grupo interditou a Avenida Recife, no encontro com a BR-101
– a cerca de 500 metros do local da ocupação. Balas de borracha foram
disparadas e pedras, atiradas. Não há registro oficial de feridos. A
situação foi controlada pela PM.
Por volta das 10h, manifestantes fecharam novamente a Avenida Recife,
em vias laterais e de retorno. Houve mais discussão e confusão. Um grupo
começou jogando pedras em um trator e, em seguida, dezenas de
manifestantes resolveram fechar o trânsito na Avenida Recife, que passa
perto do local. A polícia tentou dispersar o movimento com balas de
borracha. Em troca, pedras foram atiradas e um carro de um ferro velho
foi queimado. A confusão durou cerca de vinte minutos. Desta vez,
algumas pessoas foram detidas.
Carro foi incendiado durante protesto no Jiquiá
(Foto: Bobby Fabisak/JC Imagem)
Desocupação
O terreno fica por trás do prédio da Justiça Federal, na Avenida
Recife, e é chamado de Campo do Jiquiá. A área foi ocupada no último 4
de maio por moradores das comunidades do Vietnã, San Martin e Cacique
Xicão, que, juntos, formaram a comunidade Olga Benário. Segundo eles,
havia quase 1,5 mil barracos de lona e madeira no terreno, que tem
aproximadamente 40 hectares e pertence a uma empresa privada. A compra
teria sido realizada em 2011, mas nada havia sido feito no local até o
início do mês.
Ao saber da ocupação, a empresa solicitou a reintegração de posse à
justiça. O pedido foi acatado pelo juiz Paulo Torres Pereira da Silva
21ª Vara Cível do Recife, que emitiu a ordem de despejo. Além dos
oficiais de justiça, representantes da empresa foram ao local e a
Polícia Militar enviou 800 policiais. Segundo o Major Júlio Aragão, da
PM, a equipe chegou ao terreno por volta das 6h.
Ainda de acordo com o Major Júlio, boa parte dos barracos já estava
desocupada no início desta manhã e a equipe só encontrou cerca de 50
pessoas no local. Mesmo assim, cinco caminhões foram disponibilizados
pela empresa para fazer o transporte dos bens dos moradores e 800 PMs
acompanham a reintegração.
Fonte: g1.globo.com
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