“Agora, não há o que fazer nesse
sentido. Hoje, de fato, se constroem presídios menores. O complexo foi
feito numa época diferente, e apresenta falhas", afirmou. (Reprodução: Internet)
Embora admita iniciar a discussão sobre a desativação do Complexo
Prisional do Curado, no bairro do Sancho, Zona Oeste do Recife, o
governador Paulo Câmara foi categórico ao dizer, ontem, que não existem
recursos para construção de novas unidades carcerárias no Estado, em
substituição ao antigo Aníbal Bruno. “Agora, não há o que fazer nesse
sentido. Hoje, de fato, se constroem presídios menores. O complexo foi
feito numa época diferente, e apresenta falhas. Mas ele existe e precisa
ser cuidado. A discussão sobre a desativação vai ficar para um futuro
mais amplo”, disse, em entrevista à Rádio CBN, na tarde de ontem.
Atualmente, o governo do Estado toca a construção das unidades de
Tacaimbó (com 689 vagas), no Agreste, e Araçoiaba (para 2.574 detentos)
no Grande Recife. Ainda tenta desatar o nó jurídico que envolve o
presídio de Itaquitinga (3,5 mil vagas), na Zona da Mata Norte, uma
malfadada parceria público-privada (PPP) que será assumida integralmente
pelo Estado. O governo também finaliza o projeto de uma unidade para
533 detentos, a um custo de R$ 40 milhões, mas não definiu local. Ao
todo, as quatro unidades, que representarão 7.296 vagas para
reeducandos. Pernambuco tem o sistema prisional mais abarrotado do
Brasil, segundo o Ministério da Justiça: são 32 mil detentos para pouco
mais de 11 mil vagas. Uma superlotação de 265%.
Ainda sobre o Complexo do Curado, o governador afirmou que “é preciso
mantê-lo funcionando e cuidar da segurança das pessoas que moram no
entorno”. Câmara voltou a afirmar que “a situação não é confortável”,
mas que o governo está empenhado em descobrir os responsáveis pela
explosão do muro da unidade prisional. “Foi utilizado um material que
não é achado no comércio, é exclusivo das Forças Armadas”.
O secretário estadual de Justiça e Direitos Humanos, Pedro Eurico,
rechaçou a proposta do promotor de Execuções Penais, Marcellus Ugiette,
de iniciar a discussão sobre a desativação do complexo. “É inaplicável
no momento. Cada presídio para 500 pessoas custa R$ 40 milhões. Para
transferir todos os quase sete mil detentos, teríamos que construir 14
unidades, que custariam R$ 560 milhões”.
Eurico apresentou ontem um balanço do que o governo fez no Complexo
do Curado em 2015. Entre as ações estão o aumento do muro da passarela,
para dar maior segurança aos guardas, a instalação de alambrados nas
áreas interna e externa das três unidades, além da construção de um muro
de dois metros de altura na frente do Presídio Juiz Antônio Luiz Lins
de Barros (Pjallb). O secretário também afirmou que as revistas estão
sendo intensificadas. Na manhã de ontem, policiais militares fizeram uma
revista no Presídio Frei Damião de Bozzano e encontraram 13 celulares,
32 facas industriais, 17 facões e 336 gramas de maconha.
Fonte: jconline.ne10.uol.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário