A substância não tem registro na Anvisa.
(Foto: Marcos Santos/USP Imagens)
A regra aprovada na Câmara dos Deputados que abre caminho para
produção e uso da fosfoetanolamina sintética, a chamada "pílula do
câncer", mesmo sem aval de pesquisas, coloca em risco a população, o
sistema de regulação sanitária e a reputação da indústria farmacêutica
no País, avalia o presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária
(Anvisa), Jarbas Barbosa.
"É um precedente perigoso. A autorização do uso de remédios tem de
ser precedida por pesquisa para comprovar sua eficácia e segurança. Não
podemos encurtar caminho apenas recorrendo ao lobby no Congresso", disse
Barbosa. O projeto de lei, que agora vai ao Senado, prevê que a pílula
possa ser usada por paciente com câncer desde que o laudo médico
comprove o diagnóstico e o paciente assuma a responsabilidade.
A substância não tem registro na Anvisa. Embora o produto tenha
sido preparado pela primeira vez há 20 anos em um laboratório de
química, ele nunca foi alvo de pesquisas científicas para comprovar
eficácia e segurança. "Causa estranheza o fato de os responsáveis nunca
terem feito um projeto de análise do produto", ressaltou ele.
Caso esse pedido tivesse sido feito, conta, a análise teria saído
de forma rápida. "Ele preencheria precondições para estudo prioritário: é
produto inovador, desenvolvido no Brasil e destinado a uma doença de
grande impacto para saúde pública", observa o presidente da Anvisa.
"Estaríamos abertos a essa análise, mas ela nunca foi requisitada."
Barbosa ressaltou que a preocupação em torno da aprovação do
projeto no Senado é compartilhada pelo Ministério da Saúde. Juntos,
farão um trabalho de convencimento de senadores, para tentar impedir a
aprovação da proposta. "Essa substância não pode nem mesmo ser de uso
compassivo. Para isso, teria de ter passado por algumas etapas de
pesquisa, algo que nunca aconteceu Pacientes terminais têm de ter seus
direitos respeitados e, entre eles, está a perspectiva do uso de um
produto com o mínimo de qualidade, de segurança", completa.
Ele lembrou que parte dos pacientes que estão em fase terminal da
doença muitas vezes recorre a terapias alternativas. "Já vi discursos de
pessoas que deixaram de fazer quimioterapia. Algo temerário."
Fonte: noticias.ne10.uol.com.br
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