Em Pernambuco, existem 116 máquinas
de hemodiálise em funcionamento nos quatro hospitais que atendem essa
especialidade. (Reprodução: Internet)
O serviço de hemodiálise em Pernambuco vive uma crise sem precedentes.
Com quase cinco mil doentes renais no estado, a qualidade do atendimento
caiu significativamente e faltam vagas para os novos pacientes, que
chegam a aguardar um mês internados em hospitais enquanto esperam ser
aceitos em alguma clínica para dar sequência ao tratamento. De acordo
com as entidades de classe, o quadro afeta todo o Brasil e tem origem na
defasagem e congelamento do valor de repasse do SUS, responsável por
80% do tratamento das quase 100 mil pessoas diagnosticadas com
insuficiência renal crônica no país.
No estado, há 116 máquinas de hemodiálise em funcionamento nos quatro hospitais que atendem essa especialidade: 20 no Barão de Lucena, 20 no Hospital das Clínicas, 36 no Imip e outras 20 no Maria Lucinda. Pela concepção do sistema, os atendimentos nesses centros devem ser temporários, uma vez que são voltados para o doente renal que apresenta um quadro de emergência (cardiológica, vascular, dermatológica entre outras). Como é uma condição crônica, quando sai do quadro emergencial, o paciente é transferido para uma das 18 clínicas particulares que prestam serviço à SES. A ideia é encaminhá-lo a um serviço mais próximo de sua residência, já que são necessárias três sessões por semana. Além da hemodiálise e, claro, do transplante, há uma terceira alternativa oferecida às pessoas diagnosticadas com insuficiência renal crônica: a diálise peritonial, uma terapia realizada em casa com um equipamento que pode ser operado pelo próprio paciente e familiares e supervisionada à distância por um médico nefrologista.
Transferências suspensas
No estado, há 116 máquinas de hemodiálise em funcionamento nos quatro hospitais que atendem essa especialidade: 20 no Barão de Lucena, 20 no Hospital das Clínicas, 36 no Imip e outras 20 no Maria Lucinda. Pela concepção do sistema, os atendimentos nesses centros devem ser temporários, uma vez que são voltados para o doente renal que apresenta um quadro de emergência (cardiológica, vascular, dermatológica entre outras). Como é uma condição crônica, quando sai do quadro emergencial, o paciente é transferido para uma das 18 clínicas particulares que prestam serviço à SES. A ideia é encaminhá-lo a um serviço mais próximo de sua residência, já que são necessárias três sessões por semana. Além da hemodiálise e, claro, do transplante, há uma terceira alternativa oferecida às pessoas diagnosticadas com insuficiência renal crônica: a diálise peritonial, uma terapia realizada em casa com um equipamento que pode ser operado pelo próprio paciente e familiares e supervisionada à distância por um médico nefrologista.
Transferências suspensas
O sistema, no entanto, não tem funcionado como descrito acima. Longe disso, na verdade. Em primeiro lugar, a diálise peritonial não está mais sendo oferecida como alternativa. E, apesar de simples, não há previsão para a solução do problema. A modalidade foi cortada das opções de terapia desde o início de fevereiro porque os fabricantes dos insumos e soluções utilizados no tratamento cancelaram o fornecimento em todo o Brasil por conta da defasagem da tabela de valores do SUS. Isso contribuiu para a lotação das clínicas. Até esta quarta-feira, havia 26 pacientes internados em hospitais - alguns por até 30 dias - aguardando a liberação de vagas nesses serviços.
O cerne da questão é o valor do repasse do SUS pelos tratamentos. De acordo com estudo conduzido pelas entidades de classe, cada sessão de diálise deveria custar R$ 256 aos cofres da União. Bem acima dos R$ 179,08 pagos atualmente - o menor valor pago por esta terapia na América Latina. O que indica a necessidade de correção de 42,9%.
Sócio de uma das clínicas credenciadas pela SES, o nefrologista Joaquim Mello explica que o a crise assombra todas as clínicas e o impacto disso na qualidade dos atendimentos é direto. “Todas as clínicas que prestam atividade ao SUS, remuneradas através do Ministério, estão em situação de penúria financeira, num estágio pré-falimentar. Envolvidas em empréstimos bancários para tentar se manter ativas e em atendimento”, denuncia. O médico reconhece a queda da qualidade dos serviços oferecidos aos pacientes, mas ressalta que os esforços empregados vêm conseguindo manter o nível das diálises propriamente ditas. Mas ele faz uma alerta quanto ao futuro da hemodiálise no país. “Os pacientes estão sendo atendidos hoje, mas considerando a perspectiva de não conseguirmos ter condições de solvência financeira para manter o atendimento, vejo isso como uma tragédia anunciada. Acredito que teremos uma redução de vagas do SUS ou fechamento de clínicas por falência - falta de capacidade de honrar compromissos financeiros com fornecedores, profissionais, tributos e etc. Toda a cadeia produtiva inserida no processo está por um fio.”
Fonte: www.diariodepernambuco.com.br
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