Movimento de ônibus na Avenida Conde da Boa Vista estava próximo do normal, nesta manhã.
(Foto: Katherine Coutinho/G1)
(Foto: Katherine Coutinho/G1)
A frota de ônibus circulando na manhã desta segunda-feira (28) chegou a
75%, por volta das 8h30 da manhã, de acordo com informações do
sindicato dos empresários de ônibus (Urbana-PE). A manhã foi marcada por
atrasos e filas em terminais de ônibus. De acordo com o presidente da
Urbana, Fernando Bandeira, houve um princípio de incêndio em um ônibus
com passageiros no Terminal Integrado do Barro, na capital. “Houve
alguns momentos de tensão e eu conclamo a classe trabalhadora a não
fazer isso. Não dá para fechar terminal”, pondera Bandeira.
Decisão liminar concedida na última semana pelo Tribunal Regional do
Trabalho (TRT) determinava que 100% dos trabalhadores cumprissem seus
horários.O presidente do Sindicato dos Rodoviários, Benilson Grilo,
afirma que desde as 3h30 a equipe está na rua orientando os motoristas e
cobradores a trabalharem e cumprirem a decisão. “Não queremos que a
greve seja considerada ilegal. A orientação é que, enquanto nosso
jurídico não derrubar a liminar, cumpra o que foi determinado. Nossa
greve é legal”, garante Grilo.
O sindicato dos empresários deve entrar ainda nesta semana com um
pedido para poder contratar novos funcionários e atender à população
durante o movimento grevista. “Estamos entrando com petição judicial
para solicitar ao desembargador para que possamos contratar novos
trabalhadores para substituir os grevistas”, afirma Bandeira.
Um dos impasses principais da negociação está em torno do tíquete
alimentação, atualmente de R$ 171. O oferecido pelo empresariado é
reajuste para R$ 180, enquanto os rodoviários pedem R$ 300.
“Infelizmente, não daria. Procuramos um valor que simbolizasse a
inflação do ano. O tíquete refeição não dá para acompanhar, eles pediram
quase 100% do tíquete. Estamos saindo das permissões para concessões,
com investimentos altíssimos. E estamos há três anos sem alinhamento
tarifário”, explica o presidente da Urbana.
O representante dos rodoviários afirma que não há condições de receber
menos de R$ 6 por dia para alimentação e esse deve ser um dos principais
embates. Porém, garante que não há orientação para fechar terminal.
“Acredito que devem ser os próprios usuários, não fomos nós. No caso do
ônibus que colocaram fogo no Barro, foram os usuários, que já estavam
insatisfeitos antes da greve. Isso não parte da nossa direção ou dos
grevistas”, garante Grilo.
Sobre os rodoviários que pararam mais cedo em fila na Avenida
Mascarenhas de Morais e obrigaram os passageiros a sair dos coletivos, o
presidente da categoria garante que é fruto de uma revolta vinda dos
trabalhadores. “Antes mesmo de entrar em greve, já tinha essa liminar.
Eles acharam que ia ter greve hoje e tiveram que trabalhar. Nós
orientamos a respeitar a liminar, mas isso é fruto de uma revolta
deles”, aponta Grilo, acrescentando que o sindicato está tentando fazer o
possível para que a greve não seja considerada abusiva.
Aulas e serviço suspensos
O Campus da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) suspendeu as aulas desta segunda-feira (28), em função da greve dos rodoviários. A partir do meio-dia, as aulas de todos os cursos do campus serão canceladas. A reitoria da universidade vai fazer avaliações diárias sobre a manutenção das aulas, de acordo com a movimentação grevista.
O Detran também fez alterações no atendimento no Grande Recife. Quem
não puder comparecer aos postos para fazer o exame prático e teórico não
vai ser prejudicado e pode remarcar o teste gratuitamente. Segundo o
Detran, os exames serão cancelados automaticamente no final do dia e não
será registrada falta do candidato.
A remarcação do exame teórico deve ser feita no site do Detran: http://www.detran.pe.gov.br/. Já a do exame prático é feita no Centro de Formação de Condutores em
que o candidato se inscreveu anteriormente para as aulas teóricas e
práticas.
O porquê da greve
O porquê da greve
Motoristas, cobradores e fiscais de ônibus decidiram cruzar os braços em assembleia realizada no dia 23. Eles aprovaram indicativo de greve e comunicaram a decisão ao Ministério Público do Trabalho (MPT). A categoria não aceita a proposta de reajuste de 5% nos salários e no tíquete-refeição, feita pelo Urbana-PE. Eles querem aumento de 10%, proposto pelo MPT, e elevação no valor do tíquete-refeição de R$ 171 para R$ 320.
A greve deve afetar a vida de cerca de 2 milhões de passageiros que
utilizam o transporte diariamente na Região Metropolitana. Atualmente, o
sistema conta com aproximadamente 3 mil veículos integrando a frota,
distribuídos em 385 linhas e 18 empresas operadoras de ônibus. São
feitas, em média, 25 mil viagens por dia. O sistema conta também com
mais de 15 terminais integrados.
Fonte: g1.globo.com
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