A Barragem de Jucazinho, só conta com 11% do volume que é capaz de armazenar.
(Foto: Reprodução/Site Casinhas Agreste)
Pernambuco enfrenta uma das secas mais longas dos últimos anos. Por causa da estiagem, 126 das 185 cidades já solicitaram o estado de emergência. Na região Agreste, chove abaixo da média pelo quarto ano consecutivo e o não há expectativa que o tempo melhore em 2015.
Em Caruaru, no Agreste do Ipojuca, a quantidade de chuva permanece abaixo da média histórica desde 2012.
De acordo com o Instituto Agronômico de Pernambuco (IPA), em março de
2015, choveu o equivalente a 35 milímetros quando a média esperada era
de 90.
Na região, as barragens que abasteciam as cidades de Toritama e Santa
Cruz do Capibaribe estão em colapso. Os municípios passaram a receber
água do reservatório de Jucazinho, com sede em Surubim, que também
fornece água a outras 14 cidades. O problema é que a barragem
tem capacidade para armazenar 327 milhões de metros cúbicos de água, mas
opera com apenas 11% do volume total.
O segmento têxtil, que emprega cerca de 100 mil pessoas
e é principal atividade a econômica da região, vem sofrendo com a falta
d’água. As cidades de Caruaru, Santa Cruz e Toritama tem
aproximadamente 300 lavanderias, que juntas fazem a lavagem de mais de 7 milhões de peças por mês.
Todo o material precisa passar pela etapa de lavagem, processo que
requer uma grande quantidade de água. No caso do jeans, após cortado e
costurado ele ainda não está pronto para chegar ao consumidor. A peça
bruta é dura, parece uma lona e somente a lavagem pode mudar essa
textura, tornando o material macio. As cores e até o cheiro também são
inseridos durante esse processo, que sem água não funciona.
Para se ter uma ideia, cada peça consome pelo menos 8 mil litros de água para ser finalizada. Um caminhão pipa, por exemplo, só dá para lavar 100 peças.
O processo de lavagem utiliza água bruta, sem tratamento. Porém, de
acordo com o presidente do Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de
Confecções de Pernambuco e dono de lavanderia, Edilson Tavares, a
situação pode ser apontada como a mais crítica da história. Segundo ele,
o segmento tem dinheiro mas não tem água para comprar.
As peças em jeans criadas no polo de confecção representam quase 18% da produção nacional,
mas esse número está ameaçado. Apesar das dificuldades, para o
presidente da Associação da Lavanderias, Joanilson Melo, o momento ainda
não é de repassar o aumento das despesas para o consumidor.
Nesta terça-feira (7), na série "Do Cais ao Sertão: os caminhos da
seca em Pernambuco", você acompanha o drama dos moradores de
Pesqueira que estão sem receber água da Compesa há quatro anos. A série
tem produção de Luiza Falcão, Natália Hermosa e Rafael Souza;
coordenação de Carlos Moraes e trabalhos técnicos de Evandro Chaves.
Fonte: radiojornal.ne10.uol.com.br
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