O vestuário também costuma vender bem no período junino.
(Reprodução: Internet)
Os pernambucanos querem aproveitar o São João de 2015 gastando menos
que em 2014. Uma pesquisa da Fecomércio e do Sebrae indica que a
intenção de compras para o período junino está 11,9% menor no estado em
relação ao mesmo período do ano passado. Por isso, as vendas devem cair
3,7% no varejo neste mês de junho. Para os comerciantes, a redução já é
sentida em todos os setores.
No Centro do Recife, os vendedores de artigos de decoração, brinquedos e roupas juninas
admitem que o lucro deste ano foi menor. Nas barracas de fogos de
artifícios, a reclamação é a mesma. Nem as comidas de milho escaparam da
crise. Mesmo já estando na véspera de São João, a autônoma Maria de
Lourdes Santana disse que só vendeu metade dos quitutes comercializados
em 2014. “Ano passado, vendi umas 200 canjicas. Mas, neste ano, foram só
100”, lamenta, explicando que precisou aumentar em 50 centavos o preço
da canjica para compensar o aumento dos preços dos ingredientes do
prato.
A inflação é mesmo um dos motivos mais citados na pesquisa para a
redução das compras. Segundo o estudo, 45,1% dos entrevistados apontaram
como motivos para a queda “o agravamento do quadro econômico nacional,
pontuado pela inflação em alta, desemprego em ascensão, elevação no
custo do crédito e queda no nível de renda das famílias”.
Em Caruaru,
as compras ainda são prejudicadas pelo endividamento (25%). Segundo o
estudo, a cidade do Agreste também deve sentir a crise com intensidade,
mesmo sendo palco da maior festa de São João de Pernambuco. Em Caruaru,
67,5% dos entrevistados afirmaram que queriam comemorar a festa. No ano
passado, no entanto, esse número era de 88,1%.
Até as viagens de bate e volta que saem do Recife em direção às festas
do interior, como as de Caruaru e de Arcoverde, diminuíram neste ano. Em
uma agência de viagens da capital, as vendas de pacotes desse tipo
caíram 40% em relação ao ano passado. A queda, considerada elevada pelos
empresários, foi a mesma nas encomendas de uma firma que organiza
festas domiciliares. A opção parecia ser uma opção para quem deixou de
viajar. No entanto, o dono da empresa diz que até o aluguel de mesas e
cadeiras diminuiu. “Neste ano, fiz algo que nunca tinha feito: liguei
para os clientes perguntando quando seria a festa de São João, quantas
mesas e cadeiras iriam precisar. Mas eles disseram que não iriam fazer
festa”, conta Wellington Santos.
Wellington ainda admite que a crise o obrigou a demitir cinco de seus
11 funcionários. A pesquisa da Fecomércio e do Sebrae aponta os
prejuízos da queda de vendas para os trabalhadores. Segundo o estudo,
apenas 14,2% dos empresários pretendem contratar mão de obra temporária
neste São João. A melhor expectativa de contratação é a dos vendedores
dos centros de compras de Caruaru: 32,5%.
Fonte: g1.globo.com/pernambuco
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