O vírus é transmitido pelo mosquito Aedes Aegypti.
(Reprodução: Internet)
Vírus conhecido pela medicina desde o fim dos anos 40, o Zika passou a
ser assunto nos lares brasileiros depois que foi confirmado que filhos
de gestantes infectadas podem nascer com microcefalia, uma malformação
irreversível. Segundo a infectologista da Secretaria de Saúde do
Distrito Federal, Eliana Bicudo, já foi relatado na literatura médica
que o Zika pode ser transmitido pelo leite materno e pelo esperma.
A transmissão mais conhecida deste vírus, que começou a circular fortemente no Brasil este ano, é pelo mosquito Aedes aegypti, também transmissor da dengue e da febre chikungunya.
Até o começo de novembro, 18 estados tinham registrado transmissão
interna de Zika, onde mais de 17 mil casos foram notificados.
Além de causar microcefalia, já está registrado na literatura médica que o Zika também pode
desencadear a síndrome de Síndrome de Guillain-Barré, que é uma reação
autoimune do organismo, geralmente relacionada a infecção por alguns
vírus ou bactéria.
Segundo o Ministério da Saúde, os sintomas
febre, olhos vermelhos, manchas vermelhas com coceira, dores no corpo
acometem apenas cerca 20% dos infectados, os outros não percebem que
foram contaminados com o vírus. “Aí é que está o perigo, você pode estar
com uma doença silenciosa,que trás um risco alto para grávidas e pode
transmití-la”, pontuou a especialista.
Para quem tem o quadro
típico, o tratamento está baseado nos sintomas, com uso de paracetamol
ou dipirona, assim como acontece com a dengue e com febre chikungunya.
Normalmente, depois de no máximo sete dias o paciente está totalmente
recuperado.
Segundo Eliana, uma grande dificuldade para saber se a
microcefalia é em decorrência do vírus Zika é que o vírus só circula no
sangue por cerca de cinco a sete dias. “O médico pergunta e a mãe
muitas vezes não lembra se teve o quadro, nem sabe se teve”.
O
que as pesquisas apontam é que quem teve Zika fica imune ao vírus,
porém, não há exames que detectem quem está imune. Segundo a
infectologista, agora os pesquisadores buscam se houve uma mutação no
vírus, já que efeitos como a microcefalia nunca foram relatados em quase
70 anos de conhecimento do organismo.
O exame para a confirmação
da infecção por Zika ainda não chegou à rede privada de laboratórios e,
segundo o secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde,
Antônio Nardi, a pasta está buscando formas de baratear o kit de diagnóstico. Por enquanto, segundo Eliana Bicudo, o resultado demora cerca de dois meses.
Como
a relação entre o Zika e a microcefalia é muito recente, ainda não se
sabe se o vírus pode causar sequelas ao bebê em qualquer período da
gestação. “Os primeiros 3 ou 4 meses de gravidez é o período que existe
maior risco de que a gestante tendo a infecção pelo vírus Zika venha a
produzir uma malformação na criança. Mas como os estudos são muito
recentes, não podemos afirmar se, depois do contato com o vírus, a
criança não terá nenhum problema. O ideal que ela tome os cuidados
contra a picada do mosquito a gravidez inteira”, alertou o
infectologista Dalcy Albuquerque, da Sociedade Brasileira de
Infectologia.
O especialista alerta que muitas vezes quem tem os
sintomas da doença pode confundir esses sinais com cansaço ou com uma
virose leve. Porém, se a paciente for gestante, qualquer sinal deve
ser comunicado ao médico.
Não existe vacina contra o Zika: a
única forma de evitar a doença é o controle do mosquito transmissor. Por
isso, o Ministério da Saúde tem convocado fortemente a população a
eliminar depósitos de água parada, a vistoriar suas as casas ao menos
uma vez por semana, destruindo possíveis criadouros, e a evitar lixo,
entulhos, garrafas e a vedar caixas d'água.
Para as gestantes é
recomendado que andem de calças compridas e usem sapatos fechados ou
meia, já que o mosquito tem hábitos rasteiros, picando mais pernas e
pés. Outra opção recomendada pelo Ministério da Saúde é o uso de
produtos repelentes de uso tópico, que podem ser aplicados diretamente
na pele. Mas é importante verificar se o produto está registrado na
Anvisa e seguir as instruções de uso descritas no rótulo. A consulta de
cosméticos repelentes regularizados pode ser feita no site da Anvisa: http://www7.anvisa.gov.br/datavisa/Consulta_Produto/consulta_cosmetico.asp.
Segundo o Ministério da Saúde, o Aedes aegypti tem hábitos diurnos e atuam mais no começo da manhã e no final da tarde.
Fonte: agenciabrasil.ebc.com.br
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