(Reprodução: Internet)
O Brasil anda na contramão do mundo quando o assunto é política de
preços da gasolina. Enquanto a cotação do barril de petróleo despenca e o
combustível fica mais barato em âmbito global, por aqui o consumidor
assiste à escalada dos preços nas bombas. A chave para entender a
contradição está na Petrobras, que mantém o monopólio na produção e na
importação do combustível no País. No ano passado, o produto foi
reajustado em 20% e continuou subindo na virada do ano, com vários
Estados aumentando as alíquotas de ICMS.
“Durante alguns anos (principalmente 2012 e 2013) a Petrobras manteve
os preços da gasolina administrados, mesmo com a cotação do barril de
petróleo em alta. A companhia não queria que o preço alto refletisse no
mercado interno e provocasse aumento da inflação. Mas essa decisão
contribuiu para corroer as margens de lucro e o caixa da empresa. Agora,
a empresa está aumentando o preço da gasolina mesmo com o petróleo em
tendência de queda, porque se vender barato vai comprometer ainda mais o
caixa”, explica o professor de Economia da Universidade Guararapes,
Roberto Ferreira.
Essa política de defasagem nos preços provocou uma perda acumulada de
R$ 100 bilhões para a companhia. Não bastasse os problemas apontados
pela operação Lava Jato, a petrolífera também enfrenta o desafio de
tocar investimentos com o encolhimento da receita. Esta semana, a
Petrobras anunciou uma redução de 24,5% no Plano de Negócios 2015-2019,
que passou de US$ 130,3 bilhões para US$ 98,4 bilhões. A estratégia da
empresa também inclui um plano de desinvestimento, com a estimativa de
venda de US$ 14,4 bilhões em ativos só este ano.
A situação se agrava com o aumento da alíquota de ICMS em vários
Estados, que criaram pacotes de impostos para garantir aumento da
arrecadação em tempos de crise. Em Pernambuco, desde o dia 1º está
vigorando uma alíquota de 29% para a gasolina, que no ano passado tinha
ICMS de 27%. “Esse aumento significou um aumento de R$ 0,10 no preço da
gasolina na bomba”, calcula Ferreira. Hoje o preço médio da gasolina
para o consumidor em Pernambuco é de R$ 3,71, enquanto a média nacional
está em R$ 3,65, segundo levantamento de preços da Agência Nacional de
Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).
Fonte: jconline.ne10.uol.com.br
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