Dom Helder Câmara atuou em
defesa dos mais necessitados e da liberdade de expressão em uma época difícil
da história do Brasil, o regime militar. (Reprodução: Internet)
O processo de beatificação e canonização de dom Helder Câmara está mais próximo do Vaticano, em Roma, Itália.
Segunda-feira, após realização da missa que celebrou a contagem regressiva para
o Congresso Eucarístico Nacional de 2020, na Matriz do Espinheiro, o arcebispo de Olinda e Recife, dom Fernando Saburido, comunicou que a fase diocesana será concluída no
dia 16 de dezembro, após três anos da abertura do procedimento. “Essa fase é
referente ao recolhimento de vários depoimentos de pessoas que conviveram com dom Helder; os estudos escritos por ele e tudo que foi
publicado sobre sua vida”, explicou monsenhor José Alberico, secretário geral
do Congresso Eucarístico.
A partir de agora, a documentação será enviada as
comissões dos teólogos e dos bispos do Vaticano para formulação do parecer,
inclusive, com as menções de milagres atribuídas ao sacerdote. “Já sabemos que
há um milagre e que se conta que foi dom Helder, mas isso corre sob sigilo e só será divulgado
após a beatificação”, afirmou Alberico. Trata-se de uma pessoa que foi curada
pela interseção do bispo. Comprovado o milagre, o sacerdote poderá ser nomeado
beato e passará para a fase da canonização. Nesta etapa, é preciso a
comprovação de dois milagres para ser nomeado de santo.
Professor da graduação de Teologia, da Universidade
Católica de Pernambuco (Unicap), Degislando Nóbrega, falou sobre a importância
desse processo e do que representa a santificação de dom Helder Câmara. “Será o reconhecimento da
Igreja Católica a alguém que viveu e encarnou as grandes virtudes cristãs, da
caridade e do amor. A santidade tem a ver com essa profunda intimidade com
Deus, que transborda na vida. Então, quem conheceu dom Helder mais de perto percebeu essas características
nele”, declarou. Um homem que não agia pelo ódio, mas pelo diálogo, atuante em
defesa dos mais necessitados e da liberdade de expressão em uma época difícil
da história do Brasil, o regime militar, é como muitos o descrevem.
A Unicap em parceria com o Instituto Dom Helder Câmara (IDEC), tem um projeto de extensão do
curso de História, que envolve pesquisa e organização de alguns aspectos da
obra dele.
“Ele não foi apenas o arcebispo de Olinda e Recife,
ele era o bispo da Igreja como um todo, conforme se apresentou em seu discurso
de posse. E este papel foi encarnado posteriormente muito bem, principalmente
quando ele encarou a censura rígida no Brasil e estabeleceu os auditórios do
mundo inteiro a sua tribuna”, destacou o professor do programa Ciências da
Religião da Unicap, Newton Cabral.
Fonte: www.folhape.com.br
Nenhum comentário:
Postar um comentário