Na aula-espetáculo, Ariano misturava causos e informações sobre
elementos da cultura popular nordestina (Foto: Costa Neto / Secretaria
de Cultura de Pernambuco)
O corpo do dramaturgo Ariano Suassuna está sendo velado, na manhã desta quinta-feira (24), no Palácio do
Campo das Princesas, sede do governo estadual na capital pernambucana. O
velório, iniciado por volta das 23h30 da última quarta (23), ficou
aberto durante toda a madrugada, com parentes, amigos e fãs se
despedindo. Área em frente ao Palácio foi interditada para os carros,
prevendo a circulação do público ao longo do dia.
Antes das 7h desta quinta, muita gente já passava pelo local, a caminho
do trabalho, para homenagear o mestre. Logo cedo, o movimento estava
tranquilo. O caixão foi coberto por bandeiras do Sport, da Universidade
Federal de Pernambuco (UFPE), de Pernambuco e do Brasil.
Ariano morreu às 17h15 da quarta (23), vítima de uma parada cardíaca.
Ele estava internado desde a noite de segunda (21) no Hospital
Português, onde foi submetido a uma cirurgia na mesma noite após sofrer
um acidente vascular cerebral (AVC) hemorrágico.
O corpo começou a ser velado no Palácio do Campo das Princesas, no Centro do Recife, ainda na noite
de quarta (23). Por volta das 22h55, o caixão foi recebido por
familiares, amigos e políticos, que participaram de uma celebração
religiosa. Na porta do Palácio, a fila de admiradores começou a se
formar por volta das 23h.
A previsão é que o velório aconteça durante toda o dia e só termine às
15h desta quinta (24). O corpo será enterrado no Cemitério Morada da
Paz, em Paulista, Grande Recife, por volta das 16h.
Ariano Suassuna nasceu em 16 de junho de 1927, em João Pessoa, e
cresceu no Sertão paraibano. Mudou-se com a família para o Recife em
1942. Mesmo com os problemas na saúde, ele permanecia em plena atividade
profissional. "No Sertão do Nordeste a morte tem nome, chama-se
Caetana. Se ela está pensando em me levar, não pense que vai ser fácil,
não. Ela vai suar! Se vier com essas besteirinhas de infarto e aneurisma
no cérebro, isso eu tiro de letra", disse ele, em dezembro de 2013,
durante a retomada de suas aulas-espetáculo.
Em março deste ano, Ariano foi homenageado pelo maior bloco do mundo, o
Galo da Madrugada. Ele pediu que a decoração fosse feita nas cores do
Sport, vermelho e preto, e ficou muito contente com a homenagem. “Eu
acho o futebol uma manifestação cultural que tem muitas ligações com o
carnaval”, afirmou, na ocasião.
No mesmo mês, o escritor concedeu uma entrevista à TV Globo Nordeste
sobre a finalização de seu novo livro, “O jumento sedutor”. Os
manuscritos começaram a ser trabalhados há mais de trinta anos.
Na última sexta-feira, Suassuna apresentou uma aula espetáculo no
teatro Luiz Souto Dourado, em Garanhuns, durante o Festival de Inverno.
No carnaval do próximo ano, o autor paraibano deve ser homenageado pela
escola de samba Unidos de Padre Miguel, do Rio de Janeiro.
A primeira peça do escritor, "Uma mulher vestida de sol", ganhou o
prêmio Nicolau Carlos Magno em 1948. Ariano escreveu um de seus maiores
clássicos, "O Auto da Compadecida", em 1955, cinco anos depois de se
formar em direito. A peça foi apresentada pela primeira vez no Recife,
em 1957, no Teatro de Santa Isabel, sem grande sucesso, explodindo
nacionalmente apenas quando foi encenada – e ganhou o prêmio – no
Festival de Estudantes do Rio de Janeiro, no Teatro Dulcina. A obra é
considerada a mais famosa dele, devido às diversas adaptações. Guel
Arraes levou o “Auto” à TV e ao cinema em 1999.
O escritor considera que seu melhor livro é o “Romance d'A Pedra do
Reino e o príncipe do sangue do vai-e-volta”. A obra começou a ser
produzida em 1958 e levou 12 anos para ficar pronta. Foi adaptada por
Luiz Fernando Carvalho e exibida pela Rede Globo em 2007, com o nome de
"A pedra do reino".
Na década de 70, Ariano começou a articular o Movimento Armorial, que
defendeu a criação de uma arte erudita nordestina a partir de suas
raízes populares. Ele também foi membro-fundador do Conselho Nacional de
Cultura.
Após 32 anos nas salas de aula, Suassuna se aposentou do cargo de
professor da Universidade Federal de Pernambuco, em 1989. O período
também ficou marcado pelo reconhecimento nacional do escritor – Ariano
tomou posse na cadeira 32 da Academia Brasileira de Letras (ABL), no Rio
de Janeiro, em 1990.
Fonte: g1.globo.com
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