Todo exercício físico deve ser feito com responsabilidade e cautela, permitindo que o corpo descanse. (Reprodução: Internet)
Uma pesquisa da Universidade de São Paulo (USP) aponta que a prática de
exercícios físicos intensos sem o tempo de recuperação adequado provoca
alterações negativas em estruturas vitais do organismo como coração,
fígado e sistema nervoso central.
Já
é de conhecimento dos profissionais de saúde que esse tipo de
treinamento intenso sem intervalos necessários leva à síndrome do
overtraining, desencadeando sintomas como depressão, insônia,
irritabilidade, queda na imunidade, perda de apetite e de peso. Mas a
novidade desse estudo é que os prejuízos vão além da queda do
rendimento.
O levantamento mostrou que há alterações negativas em
órgãos vitais. Além disso, o desequilíbrio entre o excesso de exercício
físico e o período destinado à recuperação está associado a uma
inflamação em músculos esqueléticos, sangue, hipotálamo, coração e
fígado. Para chegar a esse resultado, foram feitos testes com
camundongos, submetidos a diferentes práticas de overtraining, a exemplo
de corrida no plano, na subida e na descida, durante oito semanas.
O
coração apresentou sinais de fibrose e também sinais moleculares de
hipertrofia patológica. O fígado teve aumento da gordura que ocorre, por
exemplo, em doenças como diabetes e obesidade. A inflamação no
hipotálamo foi associada à diminuição do apetite e do peso corporal dos
camundongos.
Personal trainer há nove anos, Amanda Rodrigues
lembra que o exercício físico feito de forma regular e moderada, sob
orientação de um profissional de educação física, é uma estratégia
extremamente eficiente para a prevenção e tratamento de diversas
patologias. Contudo, ela ressalta que é preciso respeitar um período
adequado de recuperação, que varia muito em relação a sessões de
treinamento e ao nível inicial de condicionamento do praticante. De
forma geral, os especialistas no assunto dizem que um período entre 24
horas e 48 horas é suficiente para a recuperação.
Amanda orienta que é preciso estar atento a todo sinal e sintoma. "O
nosso corpo fala. Se existe algum desconforto e passa a ser persistente,
se você percebeu que existe uma queda de apetite sem motivo aparente ou
se você está tendo dificuldade para dormir, atenção a tudo isso. O
descanso faz parte de todo e qualquer resultado. É importantíssimo que
você respeite e leve em consideração as orientações do profissional de
educação física, pois elas vão ter impacto direto no seu resultado",
ressalta.
Personal trainer Amanda Rodrigues
(Foto: Jose Britto/Folha de Pernambuco)
Quem começou a sentir na pele os primeiros sinais
causados pelo overtraining foi a estudante universitária Maria Augusta
Casanova, 27. Ao fazer treinos de pernas três vezes por semana, ela não
conseguia descansar o suficiente para refazer a série de exercícios para
os membros inferiores. Em um intervalo de apenas duas semanas, começou a
sentir muita dor muscular e fadiga.
"Como se meu corpo não
tivesse tempo de se recuperar para que eu pudesse treinar novamente",
detalha. Ao perceber os sintomas, ela falou com a personal trainer, que
passou uma nova sequencia de exercícios. "É essencial o acompanhamento
de um profissional de educação física, pois ele é capacitado para
atender à necessidade de cada pessoa."
Fonte: www.folhape.com.br
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