Esse ano, completa 50 anos que os primeiros astronautas chegaram até a lua.
(Reprodução: Internet)
Nova viagem à Lua terá uma mulher astronauta e deve
ocorrer em 2024Na mitologia grega, a deusa Ártemis é irmã gêmea de
Apolo. Filha de Zeus, governa a caça, a vida selvagem e a Lua. Cinquenta
anos depois da conquista lunar, a Agência Espacial Norte-Americana
(Nasa) não poderia ter escolhido melhor nome para a próxima viagem
tripulada ao satélite, estimada para 2024, quando um novo grupo de
astronautas, incluindo uma mulher, pisará no mesmo solo em que Neil
Armstrong e Buzz Aldrin fincaram a bandeira dos Estados Unidos em 16 de
julho de 1969.
Não há dúvidas de que o retorno à Lua trará
oportunidades de desenvolver novas tecnologias, fazer novos
experimentos no satélite e lançar as bases de uma futura viagem a Marte.
Porém, na opinião de especialistas, assim como ocorreu com a Apollo 11,
essa é uma missão muito relacionada a mostrar quem manda no espaço.
Desde que a Nasa parou de lançar veículos para lá, em 1972, outros
países começaram a investir no sonho da conquista lunar. A China deu
largada em 2003, com o lançamento de seu programa espacial, provocando
uma reação imediata no então presidente norte-americano, George W. Bush,
que prometeu estabelecer colônias na Lua e chegar a Marte até 2030.
“Estamos
passando por uma nova corrida espacial. A China já colocou um
astronauta em órbita. Japão, Israel e Índia também querem pousar na Lua.
Com isso, há um ressurgimento do interesse na pesquisa espacial. O
contexto é tão político quanto tecnológico”, aposta o astrônomo Naelton
Mendes de Araújo, do Planetário do Rio de Janeiro. Para o professor da
Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (USP) Marcelo Zuffo,
membro do Instituto de Engenheiros Eletricistas e Eletrônicos (IEEE), a
missão Ártemis será uma oportunidade de mais crescimento tecnológico.
“Esses projetos são estruturantes e estratégicos; superpotências, como
Estados Unidos e China, têm muitos benefícios indiretos de projetos como
esses. Eles são grandes aceleradores de empresas de alta tecnologia e
da formação de engenheiros superespecializados”, diz.
Avanços e recuos
Pelas
contas de Bush, a retomada das missões na Lua pelos norte-americanos
ocorreria entre 2015 e 2020. Ao assumir a Casa Branca, em 2009, Barack
Obama, porém, suspendeu o investimento no satélite e pediu à Nasa para
se concentrar no outro grande sonho da humanidade, em termos de
conquista espacial: um voo tripulado a Marte. Mas a eleição de Donald
Trump, empossado há dois anos, retomou a estratégia de Bush. No fim de
maio, a agência espacial anunciou o calendário de Ártemis: em 2020, será
lançada a primeira missão não tripulada com objetivo dar uma volta ao
redor do satélite. Se tudo der certo, ela será seguida por Ártemis 2,
que levará humanos para orbitar a Lua em 2022 — eles, porém, não
pousarão no satélite.
Inicialmente, os planos da Nasa
previam o ápice da missão, Ártemis 3, para 2028. Porém, Trump pediu para
a agência acelerar o projeto. A China, que conseguiu pousar a sonda
Chang’e-4 na face oculta do satélite (o hemisfério que não se vê da
Terra) em janeiro, já avisou que pretende levar um homem para lá em uma
década, o que provocou a antecipação do cronograma da substituta de
Apollo.
Tanta ousadia tem, porém, seu preço. E, com o
Congresso norte-americano relutando a aumentar o orçamento da Nasa,
Ártemis já começa atrasada: o foguete de lançamento SLS, que deverá
levar tripulantes também a Marte, não saiu do papel. A alternativa é
investir nas parcerias com empresas privadas — já confirmadas para
participar de várias etapas da missão. Porém, as licitações, das quais
devem participar a SpaceX, de Elon Musk, e a Blue Origin, de Jeff Bezos,
também estão em atraso.
Por isso, especialistas apostam nas
comemorações de meio século da chegada à Lua como um incentivo à missão
Ártemis. A expectativa é de que, ao relembrar uma das maiores conquistas
da humanidade, a Nasa ganhe apoio popular e o Congresso norte-americano
se sinta pressionado a liberar a verba necessária para concretizar mais
uma etapa do sonho de se ganhar o mundo.
Fonte: www.diariodepernambuco.com.br
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